A SOLIDÃO SE DESVAIRA COMIGO
Madrugada lenta. Sinto o arrepio desse
piscar do olho do vento. Mórbido e apto
da saúde dos pássaros que dormem sobre
a torre de babel da saudade de alguém.
Meu filho acha que minha poesia é um
ninguém procurando alguém. Mas tudo bem!
creio que ele vai aprender o que é a poesia
de quem planeja poesia. Planeja e escreve!
Os dedos cessam por um instante na tecla
movediça que me atrai pro fundo da alma
da palavra que o pensamento amordaça.
Como o silêncio me atrai também! busco
nele o encanto do ar que respiro daquelas
mesmas rosas que um dia eu te ofertei e
tu sabendo que esse era o meu mundo, o
universo inteiro do amor, me namorou e se
casou com a minha solidão. Calo-me diante
os calos da voz de tanto gritar por teu nome.
Dormes lá fora! rede do aço do meu ódio amoroso.
Gostaria imensamente que acordasses e viesses
me olhar esse lado da rua 107 onde fica um ávido
oito beirando à loucura de tanto esperar também
pelo bem do nove! dez anos de muita poesia fiz
ontem quando eu tinha às mãos uma régua da
patética sombra que a matemática dos sonhos
de ter você aqui comigo me deu pra eu medir
o compasso do tempo desse tanto te esperar
pra poder aqui vir de uma vez por todas me amar!
me deu uma vontade tão grande de continuar estes
versos livres como a prisão das metáforas que a vida
como poetisa me deu as chaves pra soltá-las e assim
deixá-las postas á liberdade ortográfica dos sentidos.
Saiba que jamais quero aqui agora deixar de escrever
nas linhas desvairantes dessa noturnidade minha, só
minha e de minha poesia em solidão a incrível maneira
de ainda poder te fazer feliz te coagulando o meu amor
nesse ventre da sanguínea vontade de te abraçar agora
e poder jogar sobre esse chão límpido meu corpo sobre
o teu e dizer pro mundo nada, apenas deixar que o amor
aconteça em nós como se fosse o próprio delírio do bom
acontecimento dos sonhos nas realidades de tudo que somos.
Hudo
Nenhum comentário:
Postar um comentário