terça-feira, 4 de setembro de 2012

MOINHOS DE RETINAS N. 2

Vejo-te!
vejo-te lavando meu suor
e te envolvo na bactéria

dos meus olhos porque minha
cara é suja de tanto amar
solitariamente a tua cara.
E quanto mais te olho
molho a ponta suave da língua
dos meus olhos, e quanto mais
te como um resíduo do alimento
desta ilusão fica retido entre meus
dentes não como cárie mas como
um sonho dolorido e fazedor de
esquinas, bares e estrelas.
Louco eu, bebo o último olho que
me resta quando por sacrifício
íntimo não me restará mais os teus
olhos e nem os olhos turbulentos da vida.


Hudo

Nenhum comentário:

Postar um comentário