sábado, 11 de agosto de 2012

A ILUSÃO E A ÓTICA

Quero te olhar, te ver,
e me concentrar em ti
como um olho olha outro

olho e diz assim: te amo!
não quero te olhar como
um adeus olha pras estradas
que foram asfaltadas pelas
mãos do fim com os automóveis
do jamais te ver ao meu lado de
novo passando logo em seguida
e logo em seguida mais e mais
automóveis desse jamais te ver
ao meu lado outra vez e outra
vez eu poder te ver não mais tal
a ilusão trêmula dos nervos oculares
quando te vejo chegando e nem sequer
me olhando e nem me pedindo nada e
logo indo embora, mas grito teu nome,
sei que posso ainda te reter à mim e
vascular as gavetas desarrumadas do
teu coração que ainda guarda todas as
cartas que te escrevi ao longo desse
inacabado amor que me deslumbra feito
corda bamba que não me vejo lá e nem
te vejo lá porque compreendo que o chão
que pisamos é o chão da realidade de me
caber em teu coração que guarda meus
poemas, minhas cartas de amor à ti, meus
contos curtos que fotografaram minha história
contigo, uma história apaixonante como paixão
que não somente delira mas sacode o coração,
repuxa a camisa de todos os verbos do volta
pra mim, fica comigo esta noite, me faz debruço
a madrugada policiada pela lua com as estrelas
e nada de ninguém ser preso nas cadeias, pelo
contrário, solturas de corpos nus amáveis sobre
as relvas solares dos leitos noturnos; e tudo fica
brilhante, e tudo fica sem a ilusão que tive quando
te perdi pela primeira vez, mas agora te prendo à
mim agora como um policial do amor, com as armas
da minha sedução te apontando a linha sagrada dos
meus braços abertos aos teus braços abertos aos
abraços desse amor sobrevivido pela compreensão
dessa visão de te querer sobre todas as coisas, e mais
do que isso ter-te novamente ao meu lado sem mais
aquelas ilusões que tanto brigavam com a minha vontade
e com a tua vontade na vontade do amor de amarmo-nos,
de beijarmo-nos nesses retornos, nesses contornos de
minhas mãos pintando no ar as gravuras de teu corpo
aquareladas pela pintora e poetisa, minha alma, tua luz
ainda em teu caminho que guardo somente ao teu amor
que tanto peço-te sempre pois a ele dou o meu amor,
abraço-o mil vezes, colho-o à mim nesse eterno aconchego
de doçuras, de encantos, de malícias e de retornos que somos.

Hudo

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