quinta-feira, 9 de agosto de 2012

OS OLHOS DO SOL

O coração espantado, atônito,
mira a terra! banho o mar com
as águas daquele rio que rio

do barco quando o barco pescou
o cais onde as escamas dos peixes
atracam em busca de sustos. Ócio!
ócio do cio da noite pelo dia! Ira!
ira de quem sonambuliza o sono
em revolta calada dos pirilampos
que não deixam morcegos solitários
dormirem e picarem as paredes
suspensas do céu sem estrelas.
O olho verde do sol amareliza as
últimas dores das cores quando elas
se evaporam do mapa rudimentar
dos mistérios sopranos dos arco-íris
quando eles são decompostos pela
alvorada milenária dos trovões com
suas amadas chuvas de véus troníferos.
E o coração da poesia é um rio de chuvas.
O coração do poeta que é o mar. Banho-te
de palavras deles com aromáticas seivas
das florestas atlânticas dos verbos revistos
pelo ensaboar de metáforas regojizadas
pelo âmbito pleno de tua alma que nunca
esquece do meu corpo como planeta único
no sistema solar dado como morto de amor
pelos atos múltiplos amorosos das esperanças.
E os olhos do sol estão aí e lá em cima e em
todo lugar a visionarem tudo que se passa aqui
contigo, com eles e conosco sem mais aquela
breve história que a terra nos contou ao nascer.


Hudo

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