...madruguei com a minha
solidão sem o alimento do
corpo, o amor da amada.
Fiquei horas a pensar em mim
e minutos a fugir da dor de
me sentir só observando um
relógio aqui meio perdido sem
saber se olha pra mim ou pra sí.
A solidão é termômetro que sempre
tá debaixo desse axilante encontro
entre o medo do perfume e a coragem
do cheiro de sentir que só há vazio nesse
encontro noturno de minhas palavras
com o perfume mais uma vez da manhã
que me ver mais uma vez sozinho com
frio e com calor dentro desse coração
que pulsa e empurra as paredes contra
a imensidão escura do meu grande amor
que não tem onde dormir e fica aqui
ouvindo esta canção que fala de amor...
do amor mais correspondido do mundo,
o amor da dor de quem só sabe amar
à sí porque recebe o mais puro amor
desse desejo de ser amado sem poder...
o relógio me olha mais uma vez assim,
em atrazo, pois me espera reações, mas
as reações não condizem com o momento,
e momentaneamente a fragilidade é a ópia
fortaleza do adormecer dos meus nervos
que estão acordados mas definitivamente
expostos a esta turbulenta vontade de
ser mastigado por um amor voraz que no
momento nunca me vem e sem seu corpo
estou...sem sua alma minha divina alma se
alenta mais ainda e não consigo adormecer
mesmo com os tranquilizantes dos relógios
dessa madrugada lá fora vigiada pelo absurdo
do silêncio que não pára de me enviar palavras
e versos da história de minha solidão difundida
pelas vozes da vida nos auto-falantes da dor.
Hudo Guedes
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