MUITAS VEZES
...hoje acordei ouvindo
esta canção do passado,
e abri meu olhos com uma
certa preguiça ocular vinda
da alma que desardomeceu
este meu corpo úmido ainda
do quenturento sono que me
faz acordar e me faz querer
novamente me deleitar num
ressono voluntário em mim.
A canção, sim, é linda! fala
de amor e de damas que
precisam do amor de seus
homens que também acordam
assim, cheios de amor pra dá.
Logo logo virá um meio-dia,
mas demorará, virá daqui a
quase um dia porque meu sono
acorda aos poucos pois fiz amor
com minhas solidões ontem e
deixei um pouco de mim pros
sonhos que não pude sonhar!
logrei êxitos com este coração
exuberante dos meus desejos
que de tanto sozinhos obteram
prêmios no campeonato aberto
das solidões, e que cuja premiação
é a continuidade desses desejos
agora vibrados pelo grande amor
que está a muito tempo dentro
do meu peito que traz em sí um
respirar de gaivotas que carregam
em seus dorsos florestas amazônicas
e deixam cair de seus olhos girassolares
a lágrima titânica de uma criança que
foi abandonada pelo sol numa cesta noturna
esquecida em plena pavimentação onde
passarinhos pousam pra cantarem e sonharem
com novas manhãs achadas pela poesia do
agora que me consome e me deixa levar pelas
dores de tantos amores que não tive e tive,
tive-os dentro desse meu coração de poeta
que muitas vezes se torna já sendo solitário!
Hudo Guedes
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