VIGÍLIA DO AMOR
Na inspiração me guardo
livre de rimas porque rimas
me prendem ao silêncio do
meu pensamento que quer
bradar na liberdade da palavra
vinda liberta de conceitos únicos
porque no amor não me vigio
apenas canto minhas frases e
meus prantos alegres que são
versos em toalhas molhadas e
contorcidas logo pelas mãos
de quem me ver e me sente
como água pura que escorre
da pele da verdade que é
cuidada pelos cremes criados
pelo amor carnal de quem ama
o meu espírito em vigília amorosa
a espera do teu corpo em vigília
ao meu íntimo empenho de te
dedicar todo um olho aberto
quando o outro fechado abriu
agora pra te consumir sem
permitir fim nenhum nesse beijo
incontrolável de minha perdição
por ti que é adorada pela cláusula
somente da constituição almática
desse corpo amado com o nome
de amor, com o verbo orbital de
um poema escrito por mãos estelares
vindas dos acontecimentos manuais
que os corpos exigem quando ou se
ama solitariamente ou se despeja um
cansaço orgásmico na valentia sem
freio dos que querem mais e mais
acordes nas músicas dos gritos que
calo quando escrevo esta poesia
encantada pela silenciosidade de
quem ama devagarinho e sem mais fim...
Hudo Guedes
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